GO NEMA! GO!
- 6 de out. de 2017
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Criada em 2005, ano do primeiro evento com o nome, a Nematóides de 2017, tem em sua formação (a sexta) os fundadores Eliomário “Ceará” Saraiva (guitarrista/vocalista/composições) e o baixista Batatinha (Edmilson Henriques no RG) e o atual baterista Júnior “Cólera” Coelho, que segundo o Ceará, é uma cara 'mordido'. Atualmente a Nematóides está em estúdio, em pleno processo de criação, ajustes e de gravação do primeiro registro oficial que leva o nome da banda.
Algumas músicas já são conhecidas, graças a internet e algumas gigs. Segundo Ceará, a banda começou a gravar o CD em setembro. E um dos poucos lamentos que ouvi do sujeito é referente à “ineficiência financeira”, o que faz com que ainda não tenhamos previsão de lançamento do petardo. Ainda assim, Ceará chuta abril de 2018 como uma provável data.
E nada de baixar a bola ou o volume, conta o músico. “Para isso estaremos (e já estamos) estudando meios finais afim de arrecadar insumos (dinheiro mesmo) para a finalização do mesmo. Fora o metrônomo, está indo tudo bem”, disse o caboco. O CD está sendo produzido pela EMG Produções, que é a gravadora do Jefferson “Carneiro”, da banda Dead Live (já resenhada aqui). Quando conheci a banda, os via como um híbrido d uma pá de coisa, tinha blues, grunge (seja lá o que for isso) e tentativas de ska. Agora o prórprio Ceará dá uma definição da sonoridade da Nematóides. “Nosso som é influenciado e tem como base o Punk Rock, o Hardcore, e, mais a fundo, o Metal. Nossas letras abordam também a temática que a ideologia Punk contempla”, disse.
Ceará fala ainda da veia revolucionária (mas não gratuita e xarope, é coisa de gente que tá bem embasada do que fala) da banda. “Nossa música é música de protesto, é música sobre raiva e revolta, é música com engajamento social e até mesmo, de certa forma, político”, comenta.
Enquanto o disquinho prateado não sai, a Nematóides já tem algumas datas fechadas para tocar o terror, explica Eliomário. “Depois da gravação desse CD, a gente pensa em perturbar a geral, fazer uma divulgação massiva do trampo, tocar bastante, dar uma volta por alguns Estados da região Norte, tocar em festivais independentes, e possivelmente dar, como falam, um 'rolê' pela região Sudeste”, afirma .
Apesar do espírito DYI (do it yourself, também conhecido nas quebradas como 'faça você mesmo') as próximas ações da banda, já não são mais tão 'na tora' conta Ceará. “Tudo isso já pensando, trabalhando, criando novas músicas para o próximo álbum, o 'Semeando Rebeldia', que vai ser muito mais agressivo e thrash – pesado, uma quase ruptura com o jeito Nematóides mais conhecido”, adianta Eliomário. O que me faz lembrar de quando ele me enviou via rede social a demo de “Nova Escravidão”. “Um doido disse que parecia Exodus. Nunca nem ouvi!”, explicou.
O DYI por Ceará
Os corres da Nematóides não são muito diferentes da maioria das bandas independentes, seja em Manaus ou em qualquer outro lugar. A grande parada, mais que reconhecimento, parece ser lutar, sem muito choro, explica o músico. “Nossa banda faz parte do circuito underground que, assim como várias outras milhares de bandas 'Manaus-Brasil afora', estão correndo, suando, tocando, dando o sangue”, afirma.
“A gente, do underground, vive de 'faça-você-mesmo': cada banda faz seu corre, junta os seus, mete a mão no bolso e faz acontecer. É duro e até cansativo, mas no fim é gratificante todo o corre. Nada é em vão!”, disse Ceará.
Sobre o início da Nema (abreviação carinhosa do público que nas gigs acrescenta um 'go', pra animar as paradas), Ceará vê algumas diferenças no jeito de fazer acontecere sobre estar envolvido na onda de novas bandas manauaras. E segundo ele, são coisas positivas. “Estar inserido nesse meio, hoje, é em certos pontos bem diferente do que era há uma década – por exemplo, com a ascensão das redes sociais e de compartilhamento, as coisas ficaram bem mais fáceis e práticas para quem corre atrás de divulgar seu trabalho. Antes o 'Faça Você Mesmo', via divulgação, não era tão fácil assim de se fazer”, conclui.
Para o nosso querido e destemido site, pedi ao querido e destemido Ceará que fizesse um 'faixa a faixa' do trampo que está sendo finalizado. Confiram aí (e depois ouçam os caras, ao vivo ou não, e digam se é isso mesmo, uma coisa que vou querer sacar é a opinião de vocês).
Álbum 'Nematóides”, faixa a faixa por Eliomário “Ceará” Saraiva:
Penta e Com Fome – Hardcore – feita, ironicamente falando, em homenagem às Copas, aos títulos mundiais futebolísticos que temos, mas que não nos favorecem em nada. Fala de uma falsa ideia de felicidade e união entre os brasileiros em época de copa, de alienação Cotidiano – Punk – Fala da situação de muitos brasileiros, também fala do fetichismo que o povo tem em eleger pessoas, representantes (políticos), com a triste esperança de que algo possa mudar. No fim a letra fala que “Deus é o Papai Noel dos adultos”. Pátria Amarga – Punk Hardcore – letra irônica, de escárnio. Fala das mazelas sociais que acometem o povo brasileiro, e no refrão proclama “Ô, pátria amada Brasil”, como se tudo estivesse bem. Brincando de Deus - Hardcore – primeira música da banda, é uma letra ainda imatura, mas que no fim fala da revolta contra a impunidade (que favorece os abastados) da justiça penal brasileira. Nova escravidão – (Metal Punk Hardcore) – fala da exploração do trabalhador que é impulsionado pela mídia televisiva a ser ator da “Nova escravidão” (que é o consumismo alienado), ator esse que trabalha em lugares que ele não gosta para comprar coisas que ele não precisa fazendo com que outras pessoas como ele também sejam exploradas. Me dê, Me dá – Ska/Punk – a letra é sobre as inquietações de um rapaz que está acordando pra vida e percebe que o mundo adúltero é bem adulto. Violência na Cidade (tributo ao Williams) – Metal Punk Hardcore – essa letra fala da impunidade, foi feita em homenagem a um amigo trabalhador e pai de família que foi morto pela polícia de Manaus enquanto estava trabalhando para prover o melhor a sua família. É uma música de muito ódio e revolta, é uma música sobre injustiça. Teologia da Prosperidade – Punk Rock – essa é a última música (inédita ainda) feita pela Nematóides. Entre outras coisas, também é uma referência à “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber. Moleque Revoltado II – Punk Hardcore – fala da história de Joãozinho Punk, um moleque extremamente revoltado. Sangria – Hardcore – essa é a letra e música mais violenta da banda. É um hardcore muito rápido e agressivo! Não aconselhável aos sensíveis a sangue.
Ouça o som da banda:











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